O conhecimento nos dias atuais é essencial para alcançar uma perspectiva real de vida social e econômica, tal afirmativa é justificada nas entrevistas que buscam conhecer o perfil do público EJA, difícil é entender então, os dados preliminares do Censo Escolar de 2012, que afirmam que a procura por esta modalidade está caindo consideravelmente a cada ano.

Quais os motivos para a evasão escolar no ensino de jovens e adultos?

A evasão escolar têm sido o grande vilão de uma situação em que se busca ainda encontrar respostas, devido a série de fatores de naturezas e ordens diferentes:

– As questões objetivas estão relacionadas a dificuldade do aluno ao acesso a escola, seja por questões pessoais ou econômicas.

– As questões de gênero estão ligadas à família e o relacionamento entre ela e escola.

– As questões pedagógicas dizem respeito a falta de um currículo adequado a esta modalidade.

– As questões de valorização do saber estão relacionadas a realidade do cotidiano em que o sujeito está inserido e suas prioridades pessoais.

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Resultado da entrevista com alguns alunos

Fatos apresentados, vale lembrar que a permanência e o êxito na EJA, embora também dependa do ambiente escolar, durante entrevista com alguns participantes, todos deixaram claro que a determinação é de cada um, e por mais que a escola ofereça, ainda é pertinente os problemas pessoais que possam surgir durante o percurso. Por isso assegurar a permanência até o final é complicado, a família e o trabalho exigem bastante e a falta de apoio vai modificando nossas prioridades.

O próprio conjunto, ou melhor, a própria variação de idade e experiências dentro de sala pelo alunos desta modalidade, agregam problemas que acabam muitas vezes causando o desligamento do aluno do ambiente escolar.

Adultos e Jovens muitas vezes não são preparados para a divisão deste ambiente. Muitos enfrentam o preconceito por estarem muito tempo afastados da escola outros são tratados como crianças, e esta infantilização gera a falta de confiança.

Desta mesma forma, professores não estão capacitados para contornar situações advindas da constituição deste grupo, e se tornam refém do sistema, considerando que ensino fundamental, médio ou EJA, devem ser tratados da mesma maneira, desconsiderando totalmente os conhecimentos adquiridos pela vivência.

A variedade linguística também tem diminuída a sua importância, é apontada exclusivamente como errada, quando poderia ser ponte para a compreensão do sujeito.

Em algumas escolas, alguns termos regionais são tratados como parte do folclore, porém é preciso explicar a origem e fazer com que ela entenda o significado e a importância desta comunicação no contexto social, histórico e político.

O fato do sujeito fazer uso de uma linguagem mais coloquial e regionalista afeta diretamente o desempenho e o relacionamento deste na sociedade. Estigmatizados, sofrem e enfrentam dificuldades para alcançarem um novo estágio de conhecimento, pois a própria escola em muitos casos torna-se excludente.

Interagir de forma cuidadosa com este público é essencial para trabalhar a percepção do indivíduo a importância da comunicação e do uso correto da linguagem.

O professor ao identificar erros, tanto na escrita ou na pronúncia, tem como obrigação intervir junto ao aluno para correção. Caso algo também seja desconhecido ao docente, cabe a ele pesquisar e trabalhar para a correção e compreensão junto ao aluno, pois é também fundamental que este se posicione como ser incompleto, capaz de errar e em constante aprendizado. Tal posicionamento traz ao aprendiz tranquilidade e disposição para o aprendizado.

A origem dos alunos é ponto de partida, pois é conhecendo-os, que a aula deve ser planejada.

EJA – Estou aqui por enfrentar situações difíceis na infância

Na infância, os entrevistados deixaram claro que o abandono escolar foi fruto da condição financeira dos pais, que em virtude da dificuldade econômica, deixavam claro que o trabalho era muito mais importante do que a escola, argumento que roubava além do ensino a infância.

Infância também que era destruída pela falta estrutura familiar, que não impulsionava os estudos mas permitia o envolvimento precoce em relacionamentos que quase sempre, acabava em uma gravidez indesejada e o abandono da escola.

Frustrações a parte, os entrevistados demonstraram encarar a EJA como a melhor alternativa para as mudanças e o caminho inicial para a busca dos sonhos.

É claro, que as políticas públicas, além de propagandas e esclarecimentos sobre a EJA, poderiam também assegurar algum tipo de incentivo financeiro para quem volta a estudar e assim de alguma forma, amenizar um pouco estas questões.

Desta mesma forma, as práticas pedagógicas neste processo, deveriam levar o sujeito a percepção que o aprendizado será usado intimamente no seu dia a dia e que contribuirá diretamente na transformação deste cidadão. Talvez isto fosse o início para a mudanças das estatísticas.

Saiba mais clique neste link: http://bit.ly/1PpqcOg

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 E você professor, já trabalhou com o ensino de jovens e adultos? Quais foram seu desafios? Deixe seu comentário, compartilhe suas experiências!

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